A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. Paulo Freire

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

TEXTO VENCEDOR DO I CONCURSO LITERÁRIO 2014


Histórias Natalinas”, PROMOVIDO PELA BIBLIOTECA DA EEEP WELLINGTON BELÉM DE FIGUEIREDO/NOVA OLINDA - CE

A RENOVAÇÃO

Tudo começou alguns meses antes do natal. Tudo estava bem. A mãe de Lawey já sabia o que iria preparar para a ceia de natal. O pai havia limpado a chaminé. Os irmãos já tinham pensado quais presentes iriam comprar para colocar embaixo da grande árvore de natal que seria montada na sala de estar. Apenas Lawey continuava triste, sem planos. Não saia do quarto, sentindo a sua profunda e dolorosa solidão.
Ela era uma garota como as outras. Tinha pais adoráveis, amigos fiéis e irmãos que apesar das confusões rotineiras o amor entre eles sempre estava acima de tudo. Estudava na Escola Estadual da cidade em que morava e reunia-se com as amigas todas as tardes de sábado, como de costume. Mas, algo a tornava diferente das demais. E, esta mudança começou desde o natal passado quando na véspera da noite mágica de natal seu ex-namorado a traiu com sua melhor amiga diante de seus amigos, familiares e colegas durante a festa natalina do colégio em que estudava.
Tal episódio a deixou muito magoada e ao voltar para casa, enquanto dirigia o carro da sua mãe, ela avançou o sinal e acabou batendo em um garoto que estava atravessando a faixa de pedestre, às 04:20 da manhã. Foi um trágico acidente. Desesperada fugiu do local do acidente sem prestar socorro, deixando sua vítima para trás.
Mais tarde no noticiário do bairro ficou sabendo apenas que um garoto atropelado no sinal ficara paraplégico. E esta foi a única notícia que teve sobre o ocorrido. Porém, a cena do acidente, naquela madrugada de desespero, nunca mais saiu da cabeça. Lawey martirizava-se diante da impunidade e fraqueza: “Não prestei socorro. Não paguei idenização. Não prestei serviços comunitários e nem se quer fui acusada de imprudência no trânsito”. Tais pensamentos a acompanhava torturando-a por ter acabado com sonhos e desejos de alguém tão jovem.
O natal se aproximava e faria um ano deste acontecimento triste fortalecendo assim pensamentos culposos e dúvidas. Ela não estava contente com a confraternização natalina que a família preparava. As festas de final de ano se aproximavam. Já havia passado de ano na escola. Afinal, era uma aluna dedicada e aplicada. Só que em muitos momentos na escola, principalmente nos momentos de lazer, ficava no pátio da escola, lendo e relendo um livro, talvez pela quadragésima vez. Em uma das suas repetidas leitura viu surgir inesperadamente um garoto com um maquinário estranho nas pernas e ficou surpresa ao vê-lo sentar-se ao seu lado. Ele olhou para ela e disse:
- Você é muito bonita! Gostei de você... Como é a história do livro que está lendo?
E, esse foi o início de uma longa conversa. Lawey e o garoto gostaram tanto de conversar que ficaram ali durante a manhã inteira e só perceberam o tempo passar quando ouviram o som da buzina do carro da mãe do garoto. Despediram-se e foram para casa. Ela adorou o garoto, achou-o lindo, simpático e engraçado. Nem ela sabia ao certo o porquê daquela conversa ter acontecido: Proposital ou casual?”, pensava.
Passaram a conversar diariamente, afinal era final de ano na Escola e entrariam em recesso. O nome do garoto era Bernardo, mas ela prefiriu chamá-lo de B... Daí começaram a ir todas as tardes para o parque da cidade. O parque acabou ficando sem graça e começaram a passear em outros lugares.
O garoto andava de um jeito estranho por causa dos ferros da aparelhagem. Nunca falava sobre o porque daquela situação e Lawey estava muito encantada para prender-se a um detalhe tão insignificante.
Os dias passavam e era quase natal. A família de lawey estava ansiosa. Mas, ela apesar de ter saído um pouco da sua caverna de solidão, continuava mesmo fora presa ao passado. Foi então que o garoto a convidou para ir a um bosque próximo a sua casa. Ele adorava este bosque e foram acampar. Ao chegar no bosque armaram uma barraca e começaram a conversar, ao anoitecer fizeram uma fogueira. A noite estava linda. As estrelas no céu estavam brilhantes e o céu bastante claro. De repente, no meio da conversa, Lawey perguntou a B. o que havia acontecido com as pernas dele. Ele contou que na noite de natal do ano anterior um bêbado o havia atropelado quando cruzava a faixa de pedestre no sinal... o deixando paraplégico. Lawey perguntou mais detalhes, temendo a coincidência dos fatos. E... o que ela mais temia aconteceu: Todas as evidências batiam com o acidente provocado por ela. Quem atropelou B. foi Lawey!
Naquele momento as cenas vividas e reprisadas frequentemente por Lawey vieram à tona e ela deseperou-se, saiu correndo do bosque. Bernardo não tentou alcançá-la pois os aparelhos nas pernas o impossibilitava de locomover-se com rapidez. Surpreso, não entendeu a reação de Lawey ao ouvir sua história. Sentiu-se invadido por uma imensa solidão. Ela manteve-se distante, não ligou. Ao fazer uma reflexão dos fatos chegou a seguinte conclusão: “Fui atropelado por Lawey, e não por um bêbado. Ela deve estar sentindo-se muito culpada”.
Bernardo sabia da confraternização natalina na casa de Lawey, pensou e resolveu ir até sua casa fazer uma surpresa. Chegando lá viu tudo decorado. No jardim havia luzes nos galhos das árvores da fachada, na porta de entrada uma guirlanda muito exuberante e motivos natalinos em todos os cantos, a enorme árvore de natal na sala de estar e a mesa posta para ceia. Tudo muito lindo! Naquele momento Lawey arrumava-se no seu quarto. Estava muito triste e solitária, mais do que de costume. Mesmo assim arrumou-se da melhor forma possível, buscando disfarçar a tristeza que a consumia. E, ao descer lentamente a escada esbarrou em uma caixa enorme envolvida em papel vermelho brilhante com um laço de fita verde no centro. Aquele presente a deixou curiosa, mas os familiares já estava reunidos na sala e a confraternização começou de um jeito diferente. Resolveram fazer antes da ceia natalina a troca de presentes. Todos os presentes menores foram abertos. Dai, o pai de Lawey foi até a enorme caixa de presente e fez a leitura do cartão e, este estava destinado a ela. Mas, ao se aproximar para começar abri-la a caixa abriu-se e de dentro saiu Bernardo.
Ela ficou surpresa e feliz. Ao aproximar-se dela disse que sabia que fora ela que o atropelou. Que aquele acidente havia acabado com o seu maior sonho: ser jogador de basquete. Mas que Lawey não precisava sentir-se culpada. Afinal, ela era humana e os humanos cometem erros. E que a noite de natal sempre será um momento de amor, felicidade, renovação e carinho. Bernardo revelou que a amava, que sem ela a vida não tinha mais sentido, não exitando a beijou. Os familiares comemoraram a felicidade do casal. Foi o melhor natal de todos os anos. A partir daquele momento Lawey sentiu-se renovada, sentindo-se amada, feliz e livre de todas as culpas que a atormentava.
O verdadeiro espírito natalino traz consigo o poder de fazer a pessoa renovar-se de modo positivo a cada dia.
Ana Daiane Rodrigues dos Santos
(Aluna do Curso Técnico em Redes de Computadores, Turma A)

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