A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. Paulo Freire

sábado, 15 de novembro de 2014

EEEP Wellington Belém de Figueiredo desenvolve o Projeto Cultura afro-brasileira na Escola

A não inserção de forma efetiva da história africana e indígena é sem dúvida um dos maiores déficit dos sistemas educacionais brasileiros. Vivemos e convivemos no segundo país mais negro fora da África. Mais da metade da nossa população é negra (pardos e negros). Concomitantemente somos também o mais racista. Os motivos para esse status quo (estado de coisas) são diversos, ainda mais ao saber que fomos o último país das Américas a abolir a escravidão, que por aqui durou mais de três séculos. Toda via o norte dessa questão que ora apresentamos é, não sem razão, a grande distância entre o que se escreve, o constante em documentos, seja na LDB 9394/96, seja na CF/1988.
Como ponto de partida e também de reflexão, frisamos que a Lei 10.639/2003 completou uma década. O que nos deixa um tanto quanto perplexos é que, mesmo depois de tanto tempo, a obrigatoriedade da inclusão no currículo oficial da Rede de Ensino da temática "História e Cultura Afro-Brasileira" constante desta lei ainda não vingou. O cenário educacional brasileiro ainda não respeita esse princípio constitucional.
Faz-se necessário frisar que a não adequação dos currículos escolares quanto a inserção da cultura afro-brasileira nos conteúdos e trabalhados de forma sistemática é um pouco do reflexo da própria sociedade brasileira, onde metade da população ainda tem de lutar um bom tempo para ocupar papeis sociais na mesma medida de sua contribuição para a formação multiétnica do povo brasileiro. Outro fator, também importante, é a falta de material didático. Citemos ainda nesse rol de fatores, a não formação continuada dos profissionais da educação, tendo como premissa uma especialização nessa área. 
Dessa forma, a ausência da análise e do estudo da cultura afro-brasileira dificulta a oportunidade dos afrodescendentes em construírem uma identidade. Tal pressuposto é um terreno fértil para a disseminação de discursos e atitudes falsárias sobre a origem do povo negro e sua trajetória.
Vale ressaltar que estamos imersos numa sociedade plural e multiétnica. Nesse sentido, a escola precisa estar aberta para essa pluralidade. O espaço das instituições de ensino é um universo. E é exatamente por isso que necessitamos contemplar todos os universos possíveis, trazendo nesse bojo às questões africanas, quilombolas, as ações afirmativas, a cultura desses povos e todos os movimentos que foram e são referências dessa mudança, como a capoeira que foi símbolo de resistência negra ao sistema escravista e diversos grupos de valorização negra que vem mobilizando e conscientizando essa juventude deste país.
Por intermédio deste projeto, pretendemos dar uma visão de aprendizado e o propósito de uma reflexão efetiva sobre a história e cultura afro-brasileira, enfocando a importância e a valorização dos aspectos culturais negros, dentro do espaço escolar, vindo a criar espaços com manifestações artísticas.
Ressaltemos também que será feito uma revisão das discussões historiográficas sobre a temática, onde será aberto um leque de discussões em face da diversidade cultural que perpassa pelo nosso país, com a finalidade de que essa diversidade seja fomentada, disseminada e valorizada.
Justifica-se ainda este projeto no sentido de ir ao encontro do que está exposto na Lei nº 10.639/2003 do Ministério da Educação que determina a obrigatoriedade do Ensino da História da África e dos Africanos no Currículo Escolar nas modalidades do Ensino Fundamental e Médio, sempre na perspectiva do exercício da politização e da cidadania.
Espera-se que este projeto possa contribuir no desenvolvimento de uma nova perspectiva sócio-cultural dos discentes quanto ao povo negro. Intenciona-se ainda que os alunos venham a se reconhecer como originários dos africanos, desabrochando um sentimento de pertencimento e que passem a se engajar socialmente nessa luta ininterrupta para quebrar estereótipos e preconceitos arraigados no seio da sociedade brasileira.
A Culminância do Projeto Cultura Afro-brasileira na Escola acontecerá no dia 20 de Novembro.
Segue o Cronograma das atividades que acontecerão nesta data, Dia da Consciência Negra:

Manhã
Acolhida: Professora/Diretora Lúcia Santana e Professora/Coordenadora Ana Maria; (07h30 às 08h00);
Palestra “A Implantação e a Aplicabilidade da Lei 10.639/03 nas Redes Públicas de Ensino” – Educadora Dayze Silva (Pretas Simoa – Grupo de Mulheres Negras do Cariri); (08h00 às 08h40);
Apresentação de Grupos Culturais – “Memórias de Pastinha”, de Altaneira. (Maculelê); (08h40 às 09h10);
Mostra das Personalidades Negras que Mudaram o Mundo – Alunos e Alunas (09h30 às 11h50);

Tarde
Documentário produzido pelos alunos/as sobre racismo também ligado a cultura afro-brasileira; (12h50 às 13h20);
Apresentação e debate sobre diagnóstico (gráfico) do sentimento de pertencimento do corpo discente; (13h20 às 13h40);
Desfile da beleza negra; (13h40 às 14h30);
Recital do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, pelos alunos José Erik e Angelina; (14h50 às 15h00);
Dança da cultura afro-brasileira (Waka Waka); (15h00 às 15h20);
Apresentações de grupos culturais – “Muzenza”, de Santana do Cariri (roda de capoeira); (15h20 às 16h00);
Exposição (mural) de fotografias de personalidades negras e frases que fazem alusão à contribuição do/a negro/a na formação do Brasil;
Considerações finais: Professora/Diretora Lúcia Santana e Professora/Coordenadora Ana Maria; (16h00 às 16h30).

Área: Ciências Humanas e Suas Tecnologias
Equipe de Professores:
Edizângela Sales – Geografia
Yane Moura – Sociologia/Filosofia
José Nicolau - História

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